WeCare@UAlg
Objetivos
- Consolidar e agregar as respostas existentes na UAlg
- Desenvolver e integrar práticas inovadoras e respostas necessárias inexistentes na academia
- Reforçar a longo prazo a sustentabilidade do trabalho em rede, multiprofissional, de respostas de saúde na UAlg
- Acompanhar as características e necessidades dos estudantes e da restante comunidade académica e responder, de modo ajustado, de acordo com a intensidade (baixa ou elevada) e grau de complexidade da referenciação
- Promover e intensificar a realização de atividades e eventos de promoção de saúde mental, bem-estar geral e qualidade de vida relacionada com a Saúde na UAlg
- Investir na qualidade, eficiência e eficácia dos serviços de apoio psicológico dos estudantes
- Fomentar o empoderamento e tomada de decisão partilhada nos processos de ajustamento psicológico
- Reduzir, através de diferentes iniciativas, o estigma associado ao mal-estar psicológico
- Atender particularmente aos grupos de estudantes mais vulneráveis ou de risco e possuir respostas direcionadas exclusivamente para estes estudantes (estudantes deslocados, nacionais ou internacionais, estudantes com necessidades educativas específicas, estudantes LGBTQIA+, estudantes identificados com elevado risco de insucesso/abandono escolar)
- Estabelecer um canal de referenciação direto entre a UAlg e o SNS para intervenções em situação de risco e/ou perturbações mentais de gravidade e/ou risco elevado
Serviço de Saúde Mental e Bem-Estar da UAlg
Para a promoção de um ambiente académico que fomente a saúde positiva, são considerados três eixos de ação:
- Uma instituição comprometida com políticas internas intencionalmente, promotoras de saúde e bem-estar geral, com práticas dirigidas fundamentalmente aos estudantes, mas também aos docentes e restantes colaboradores da Universidade do Algarve
- Serviços especificamente definidos e com intervenção ativa na promoção de saúde mental e prevenção de comportamentos de risco e/ou quadros patológicos
- Serviços dirigidos à manutenção e promoção de saúde física dos estudantes (promoção e prevenção da saúde oral, prevenção de doenças crónicas, hábitos alimentares saudáveis e promoção de atividade física)
Alicerçado nestes três eixos, a UAlg está a desenvolver um Serviço de Saúde Mental e Bem-Estar - WeCARE@UAlg -, baseado em evidência científica e, mais especificamente, assente no modelo Stepped Care, que será operacionalizado através de itinerários específicos de resposta que, posteriormente, serão adotados pelo Serviço de Saúde Mental e Bem-estar da UAlg, de acordo com o grau de intensidade, nível e passo de intervenção. (ver fluxograma aqui)
O Serviço de Saúde Mental e Bem-estar da UAlg, como resposta institucional colaborativa e em rede, comporta diferentes serviços de suporte à promoção constante de saúde mental positiva e bem-estar geral dos estudantes e da restante comunidade académica:
- Reitoria
- Serviços de Saúde SAS UAlg
- Serviços de Ação Social (SAS)
- Serviço de Psicologia (FCHS/UAlg)
- Gabinete de Desporto
- Associação Académica (AAUAlg)
- Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas (FMCB)
- Gabinete de Apoio ao Estudante com Necessidades Educativas Especiais (GAENEE)
- Unidade Local de Saúde do Algarve – ULS Algarve
Atividades de Baixa Intensidade
Nas respostas de Nível 1 pretende-se, através de um paradigma biopsicossocial, promover a saúde geral, bem-estar e qualidade de vida dos estudantes e da comunidade académica. Neste sentido, a UAlg oferece um maior número de iniciativas de baixa intensidade, sem referenciação, nomeadamente prevenção e promoção da saúde mental positiva e bem-estar geral, literacia em saúde mental, redução do estigma e discriminação associados à saúde/doença mental, autocuidado, programas de mentoria e tutoria e promoção de competências socioemocionais.
As atividades inseridas no nível 1, desenvolvidas em rede por diferentes serviços da academia, não implicam qualquer referenciação e são dirigidas a todos; no entanto, poderão permitir a identificação de casos passíveis de encaminhamento para níveis superiores e, por conseguinte, respostas ajustadas e atempadas à necessidade.
Atividades de nível 1
Passo 1
- Plano de prevenção para o VIH/SIDA, Hepatite e DST
- Projeto TU DECIDES
- Promoção de estilos de vida saudáveis e de proficiência académica e divulgação de recursos de apoio disponíveis na UAlg
- Dinamização de atividade de promoção de relações interpessoais saudáveis
- II Semana de Saúde Mental
- I Semana de Saúde Mental
- Workshops de Educação pela Arte
- Podcast sobre Saúde Mental e Bem-estar
- Pausas + Ativas
- Programa de Iniciação à Prática de Atividade Física (PIPAF) para estudantes e restante comunidade académica
- Programa CUIDA-TE
- Cãominhadas
- Curso de motivação e mindfulness para estudantes, docentes e não docentes da UAlg
- Literacia em Saúde Mental para estudantes, docentes e não docentes
- Repositório de recursos audiovisuais de autocuidado e autoajuda
- Ação de Sensibilização "Sou perfecionista! E agora"
- Ação "A minha aparência não me define"
Passo 2
- Reforço das atividades desenvolvidas no âmbito da semana de acolhimento aos novos estudantes
- Apoio à promoção e divulgação do Programa de mentoria por pares
- Promoção do bem-estar social e mecanismos de sinalização em ambiente de residência universitária
- Apoio psicopedagógico através de sessões de grupos de pares para promoção de competências pessoais e sociorrelacionais
- Programa de Mentoria para promoção da Inclusão e Desenvolvimento da Resiliência de estudantes referenciados com Necessidades Educativas Específicas, integrados no GAENEE
- Programa de mentoria (componente psicossocial e socioemocional) e tutoria por pares (componente académica) para os grupos vulneráveis da UAlg
- Programa de mentoria e tutoria específico para estudantes das residências
As atividades de Nível 2 distinguem-se das atividades de Nível 1 pelo seu cariz mais especializado. Não implicam referenciação obrigatória ou têm um processo de referenciação simples (por pares) e consistem em respostas estruturadas, direcionadas para casos pontuais, como desajustamento na transição e adaptação do estudante à UAlg ou necessidade de aquisição, desenvolvimento ou treino de novas competências. Estas respostas/atividades incluem contactos mínimos com profissionais de saúde, bem como atividades grupais ou comunitárias, que visam o desenvolvimento de competências específicas, sem que exista a necessidade de uma avaliação formal ou referenciada pelos serviços de saúde mental da UAlg.
Atividades de nível 2
Passo 3
- Intervenções online únicas ou breves de:
- Psicologia
- Nutrição
- Higiene do sono
Passo 4
- Intervenções grupais de competências socioemocionais e autoajuda guiada (autoestima, autoconceito, autoeficácia académica, gestão de stress e desempenho académico, entre outras)
- Formação de “Proficiência na Gestão do Tempo e Metodologias de Estudo”
- Procrastinação
- Ansiedade e stress
- Gestão de tempo
- Produtividade académica - Atividade psicoeducativa de prevenção do Burnout na comunidade académica da UAlg
A resposta às perturbações mentais comuns de gravidade ligeira a moderada dos estudantes da UAlg está assegurada através das atividades propostas no nível 3 (nos passos 5 e 6).
Atividades de Elevada Intensidade
No Nível 3 estão descritas as atividades que visam dar respostas terapêuticas para os problemas mentais mais comuns e prevalentes tais como a ansiedade e a depressão de carácter leve a moderado e que não requeiram suplementos farmacológicos. Estas atividades estão alinhadas com os passos 5 a 7 seguindo as orientações apresentadas no Fluxograma (ver aqui), direcionando os casos de acordo com a natureza específica e quadro clínico de cada um.
As atividades esquadradas neste nível serão acompanhadas por profissionais de saúde da UAlg no patamar do Passo 5 e 6 - especialistas em psicologia ou medicina (medicina geral e familiar e/ou psiquiatria) também afiliados à instituição.
Para situações mais complexas, no estágio 7, a avaliação pode ser conduzida por profissionais especializados em psicologia ou medicina (medicina geral e familiar e/ou psiquiatria) dentro da instituição ou por meio de protocolos estabelecidos em parcerias com serviços de saúde externos, incluindo o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Destaca-se a importância da participação ativa do estudante na tomada de decisões terapêuticas, promovendo assim uma abordagem colaborativa no processo de tratamento.
Atividades de nível 3
Passo 5
- Intervenção psicoterapêutica em grupo para perturbações com maior prevalência nos estudantes de ensino superior, tais como perturbações de humor
- Prevenção do Perfecionismo na Comunidade Académica
Passo 6
- Intervenção psicoterapêutica individual de Psicologia Clínica
- Consultas individuais de higiene do sono
- Consultas individuais de nutrição
As atividades/intervenções terapêuticas e/ou encaminhamentos de Nível 4 mantêm a sua área de intervenção nas perturbações mentais comuns, mas com um foco específico na monitorização e intervenção perante o agravamento dessas perturbações, especificamente em agudizações que resultem em comportamentos de risco – autolesão, ideação suicida – que deverão ser prontamente encaminhadas para serviços especializados, como os Serviços de urgência do SNS ou os locais de saúde mental do SNS, dependendo da gravidade e dando sempre preferência à articulação prévia para otimizar a resposta.
Adicionalmente, pretende-se encaminhar os casos detetados de comportamentos aditivos ou perturbações relacionadas ao uso de substâncias, encaminhando-os para as equipas de tratamento específicas para comportamentos aditivos do SNS, tendo como alternativa os Serviços de urgência, quando clinicamente justificado.
As intervenções serão conduzidas por profissionais de saúde especializados em psicologia e/ou medicina alocados na UAlg.
Destaca-se a importância da participação ativa do estudante na tomada de decisões terapêuticas relativas ao seu processo de tratamento.
Atividades de nível 4
Passo 7
- Consultas médicas de:
- Medicina Geral e Familiar
- Psiquiatria
As respostas de Nível 5 consistem, essencialmente, em encaminhamentos das situações em que há deteção de doença mental grave (ou risco elevado para o desenvolvimento desse tipo de doenças) ou outras condições clínicas de grande gravidade. Estes encaminhamentos deverão estar fundamentados numa avaliação dos médicos que atuam/colaboram com a UAlg e que podem fazer referência direta, quando clinicamente justificado, para os Serviços Locais de Saúde Mental do SNS ou realizar pedidos de primeira consulta hospitalar, sem a necessidade de os pacientes passarem primeiro pelos Cuidados de Saúde Primários.
Isso pode ser feito por meio de um formulário específico, disponibilizado pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), conforme previsto no artigo 8.º da Portaria n.º 147/2017, de 27 de abril, ou por referência direta para o serviço de urgência, se necessário.
Atividades de nível 5
Passo 8
- Referenciação e encaminhamento para Centro Hospitalar da Universidade do Algarve (CHUA) do Serviço Nacional de Saúde (SNS), através de canal de sinalização direta ou outra forma plausível, de acordo com protocolo já existente.
Recursos Audiovisuais de Suporte à Saúde Mental e Bem-Estar
As épocas festivas são muitas vezes associadas a “tempo de qualidade” em família. Na prática, podem juntar afetos e apoio com crítica, tensão e expectativas elevadas. Para estudantes deslocados, pode ainda surgir saudade, solidão ou frustração por não conseguirem ir a casa.
As épocas festivas são períodos de maior intensidade emocional e relacional, marcados por mudanças de rotina (sono, alimentação, deslocações), maior contacto ou proximidade com família, aumento de expectativas (convivência “perfeita”, “aproveitar o tempo juntos”) e comparação com outras famílias e narrativas sociais.
Em condições funcionais, por norma, há respeito mútuo, limites claros e cooperação na gestão de tarefas. Em contextos mais conturbados, podem surgir crítica, intrusão, conflitos repetidos e pouca margem para dizer “não”.
Para estudantes deslocados que não conseguem ir a casa, este período pode ser vivido com saudade e sentimento de afastamento, solidão e comparação com colegas que conseguem voltar, ambivalência em relação à família e ao local onde estão.
Consulta o folheto com toda a informação aqui.
As pausas letivas são períodos de recuperação e consolidação, nas quais ocorre redução ou alteração das exigências académicas, potencial aumento do tempo livre, mudanças nas rotinas de sono, alimentação, deslocação e contactos sociais. Uma gestão adequada conjuga descanso, atividades prazerosas, algum contacto social e um mínimo de organização da retoma. Quando a pausa é mal gerida, podem tornar- se pausas marcadas por sobrecarga de tarefas ou pausas marcadas por inatividade prolongada.
Consulta o folheto com toda a informação aqui.
No Ensino Superior, é frequente sentir que “não há tempo para tudo” ou que se está sempre a correr atrás dos prazos. Muitas vezes não é falta de esforço, mas sim falta de estrutura e de critérios claros.
Gestão de tempo é a capacidade de planear, priorizar e distribuir atenção e energia de forma coerente com objetivos académicos, profissionais e pessoais. Inclui planeamento semanal/diário, definição de prioridades, proteção da atenção (reduzir distrações) e recuperação através de pausas. Distingue-se uma gestão funcional, intencional e flexível, de uma gestão ineficaz, marcada por improviso constante, reatividade a notificações e ausência de pausas.
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É normal ter dias “em baixo”, sobretudo em contexto de exigência académica. A depressão, porém, vai além disso: é um estado de sofrimento mais intenso, prolongado e que começa a interferir de forma clara com o estudo, o sono, a motivação e as relações.
A depressão é uma perturbação clínica que envolve alterações em vários domínios: afetivo (humor deprimido, tristeza, vazio, irritabilidade); cognitivo (pensamentos negativos sobre si, o futuro e o mundo [“não valho nada”, “nada vai melhorar”]); comportamental (redução de atividade, isolamento, perda de iniciativa); fisiológico (alterações do sono [insónia ou hipersónia], do apetite e do nível de energia). Distingue-se de uma tristeza normativa por ser mais intensa, mais duradoura (tipicamente semanas) e por causar prejuízo significativo no funcionamento académico, profissional ou social.
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Comer é uma necessidade básica, mas a relação com a comida, o corpo e o peso pode tornar-se uma fonte intensa de ansiedade, culpa e conflito interno. Em contexto universitário, mudanças de rotina, stress e pressão social podem agravar esta vulnerabilidade.
As Perturbações da Alimentação e da Ingestão (PAI) incluem quadros como Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa, Perturbação de Ingestão Compulsiva e formas de evitamento/restrição alimentar. Caracterizam-se por padrões persistentes de restrição ou perda de controlo na ingestão, comportamentos compensatórios recorrentes e preocupação intensa com o peso, a forma corporal e a alimentação, com impacto significativo no funcionamento geral do indivíduo. Importa distinguir entre preocupações pontuais com alimentação e corpo, que são frequentes, e padrões repetidos que geram sofrimento significativo.
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Sentir ansiedade é humano: ajuda-nos a preparar para exames, apresentações ou decisões importantes. O problema surge quando o “modo alerta” deixa de desligar e começa a interferir de forma significativa com o estudo, o sono ou as relações. A ansiedade é uma resposta adaptativa do organismo a situações percebidas como ameaça ou desafio, envolvendo alterações fisiológicas (taquicardia, tensão muscular, falta de ar), cognitivas (preocupação, antecipação de cenários negativos) e comportamentais (evitação, inquietação). Em níveis moderados, facilita vigilância e desempenho. Torna-se problemática quando é muito intensa, persistente, difícil de controlar e interfere com o funcionamento diário.
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Um relacionamento amoroso saudável assenta em respeito mútuo, autonomia, comunicação clara, consentimento e segurança. Fala-se em violência no namoro/relacionamento íntimo quando há um padrão repetido de comportamentos que visam controlar, humilhar, intimidar ou magoar a outra pessoa, podendo ocorrer em várias formas: psicológica/emocional (humilhação, críticas constantes, ameaças, manipulação emocional); controlo (ciúme invasivo, controlo de roupa, horários, amizades, localização); digital (monitorização de telemóvel e redes sociais, exigência de passwords, mensagens agressivas ou humilhantes, exposição não consentida de imagens); sexual (pressão, coerção ou uso de força para práticas sexuais sem consentimento); física (empurrões, apertões, murros, pontapés, utilização de objetos como forma de agressão). Estas formas de violência associam-se, entre outros, a maior risco de abandono académico e isolamento social.
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