Projeto UAlg+Skills4STEAM: As engenharias também são para raparigas

Com o intuito de mudar o paradigma relativo a profissões que, historicamente, são mais direcionadas ao sexo masculino e incentivar o desenvolvimento profissional das mulheres nas áreas STEAM, no passado mês de abril a Universidade do Algarve desenvolveu uma iniciativa intitulada “Meninas na Engenharia@UAlg”, visitando o projeto “Culatra 2030 - Comunidade Energética Sustentável”.
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O programa procurou incentivar estudantes do sexo feminino do 3.º ciclo do Ensino Básico (9.º ano) e do Ensino Secundário (10.º ano) a prosseguirem estudos e uma futura carreira no domínio das engenharias, uma área ainda considerada sobretudo masculina.

Segundo Eduardo Esteves, pró-reitor da Universidade do Algarve para Inovação Pedagógica e Apoio ao Estudante, a escolha da ilha da Culatra para o desenvolvimento da iniciativa deveu-se ao envolvimento da instituição no projeto “Culatra 2030”. O objetivo era “mostrar que as engenharias que nós lecionamos têm aplicações práticas, existem no mundo real, e contribuímos para que uma comunidade como a da Culatra se torne uma comunidade autossustentável, que se promova o desenvolvimento, mas no sentido da sustentabilidade”, referiu.

Um dia na ilha para ver “a engenharia na prática”

Cerca de 100 alunas de escolas algarvias participaram num dia repleto de atividades com um objetivo central: mostrar que as engenharias também são coisas de rapariga. Durante a manhã, as atividades consistiram em visitas a quatro estações diferentes, distribuídas pela ilha, onde as participantes tiveram acesso a demonstrações práticas da aplicabilidade dos diferentes ramos da engenharia.

Na primeira estação, falou-se sobre a produção de ostras, onde se fixam, o seu desenvolvimento, o processo de apanhar, de conservação e refrigeração. Também houve a oportunidade de esclarecer as dúvidas e curiosidades das meninas sobre a formação em Engenharia Alimentar.

Na segunda estação, foi explicado que as ostras vão da ilha até Olhão através de um barco a energia solar, desenvolvido no âmbito da Engenharia Mecânica e Eletrónica. As embarcações foram construídas para dar apoio aos moluscicultores da ilha através do programa MAR2020, que tem como objetivo a descarbonização da Ria Formosa e a preservação da sua biodiversidade que forneceu, também, equipamentos fotovoltaicos para os apoios de pesca e unidades de carregamento de barcos solares para apoio às atividades de aquicultura e marítimo-turísticas.

As Engenharias Civil, Mecânica e Eletrotécnica foram o mote para observar as palas de sombreamento, localizadas logo à entrada da ilha. Marcada por desafios como a pobreza energética, a ilha tem sido palco para o desenvolvimento de soluções no âmbito da eficiência energética. No contexto da iniciativa “Culatra 2030 – Comunidade Energética Sustentável”, foi explicado como é que a água chega às torneiras das casas dos moradores de Faro e Olhão, qual o método utilizado.

Na última estação, o tema foi a recuperação dos edifícios e a sua eficiência energética. No entanto, as duas engenheiras que receberam as estudantes propuseram-se esclarecer todas as dúvidas sobre a Engenharia Mecânica e as suas experiências na universidade, tanto sobre a carga horária dos cursos, como sobre as unidades curriculares, partilhando algumas dicas para ajudar no processo académico. Sobre se as mulheres têm ou não os mesmos direitos na sociedade, Camila Alferes refere: “eu quero acreditar que sim, porque as áreas não devem ser apelidadas de vertentes mais masculinas ou femininas, acho que este dia vai ser bom para mostrar que engenharia não é só para homens e acho que ser só um dia com as raparigas vai ser benéfico, porque vão se sentir mais à vontade”.

As estudantes mostraram às meninas participantes alguns projetos que as suas áreas de estudos desenvolvem, nomeadamente, no âmbito da Engenharia Mecânica, um protótipo de uma máquina para dessalinizar a água do mar e, na Engenharia Civil, materiais utilizados na construção e decoração feitos a partir de materiais reciclados da ilha da Culatra, tais como cascas de ostra e redes de pesca.

Depois de uma pausa para o almoço, a tarde ficou por conta da comunidade da licenciatura em Desporto, que preparou quatro atividades, duas delas náuticas, em que poderiam experimentar e aprender a fazer Stand Up Paddle, canoagem, treino funcional e zumba. Estas atividades lúdicas proporcionaram uma experiência diferente para as meninas das engenharias, complementando um dia pleno de novas aprendizagens e perspetivas.

Quanto às profissionais das engenharias, todas concordam que as mulheres são capazes de desempenhar funções e têm algo de bom a acrescentar nestas áreas: “tanto as mulheres como os homens conseguem desempenhar um bom trabalho desde que gostem daquilo que estão a fazer e que estejam empenhados’’, referiram.

Liana, de 14 anos, da escola EB 2,3 Padre João Coelho Cabanita, em Loulé, afirmou ter gostado das atividades desenvolvidas. Como outras colegas, garante que as explicações dadas pelas alunas e professoras foram esclarecedoras e, embora a vertente das letras também esteja a ser equacionada, refere que estas explicações contribuíram para um maior esclarecimento sobre a área que querem vir a prosseguir.

Recorde-se que a Universidade do Algarve tem desenvolvido, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o projeto UAlg+Skill4All, um conjunto de iniciativas transversais e multidisciplinares que tem vindo a promover desde 2023. Um deles, o programa UAlg+Skills4STEAM, em linha com o Programa Impulso Jovens STEAM, tem por objetivo aumentar a participação de estudantes do sexo feminino nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (CTEM ou STEAM em inglês, que inclui as Artes e Matemática), e também nas tecnologias da informação e comunicação (TIC).

Notícia produzida por Inês Ponceano e Mafalda Nobre* e adaptada por GCP UAlg

*Alunas do 1.º ano da licenciatura em Ciências da Comunicação da UAlg

Veja também o vídeo produzido pela turma do 2.º ano

 

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