Seleccionado pela Associação Europeia de Humanidades Digitais
Romanceiro.pt
A Associação Europeia de Humanidades Digitais, entidade que representa as Humanidades Digitais na Europa, acaba de associar o projeto romanceiro.pt ao seu portal (https://eadh.org/projects). Dirigido pelos investigadores Pere Ferré, Mirian Tavares e Sandra Boto do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) da Universidade do Algarve, este projeto, que ajuda a preservar memória coletiva, ganha, assim, destaque no panorama internacional.
A aprovação da candidatura representa o reconhecimento, por uma prestigiada instituição europeia, do esforço levado a cabo pela equipa de investigação para oferecer, diariamente, novas ferramentas e novas metodologias aos investigadores a trabalhar na área e, simultaneamente, disponibilizar ao público em geral o acesso a milhares de recursos no âmbito do Arquivo do Romanceiro Português da Tradição Oral Moderna.
O projeto, que já em 2013 captara a atenção de instituições nacionais, como a Fundação Calouste Gulbenkian (que financiou o processo de digitalização dos núcleos documentais do Romanceiro) ganha agora visibilidade internacional, integrando a grande montra de projetos europeus na área das uhUMANHumanidades Digitais.
Sobre o romanceiro.pt
Em 2013 iniciou-se o processo de digitalização dos núcleos documentais do Arquivo do Romanceiro Português, ao abrigo do projeto intitulado “O Arquivo do Romanceiro Português da Tradição Oral Moderna (1828-2010): sua preservação e difusão”. Através de uma parceria entre a Fundação Manuel Viegas Guerreiro (Loulé) e o CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação/FCT (Universidade do Algarve) e com o valioso mecenato da Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do ‘Concurso de Recuperação, Tratamento e Organização de Acervos Documentais (2013), pode finalmente dar-se um passo decisivo na salvaguarda e promoção do Arquivo do Romanceiro Português.
Com a disponibilização deste arquivo em rede, promete-se tornar acessível tanto ao público especialista como ao grande público um conjunto de grande valor cultural, que alberga perto de 14.000 imagens de documentos de grande relevo no âmbito da literatura patrimonial portuguesa.
Para o caso específico português, poderiam referir-se os contributos das recolhas e publicações de versões de romances realizadas a cargo de nomes como Almeida Garrett, Teófilo Braga, Leite de Vasconcellos, Consiglieri Pedroso, Alves Redol, Michel Giacometti, Maria Aliete Galhoz, Manuel Viegas Guerreiro, entre tantos outros. Este arquivo alimenta-se, justamente, dos trabalhos de recolha e publicação do romanceiro tradicional português que estes e muitos outros interessados na literatura de tradição oral levaram e continuam a levar a cabo no presente.
Este acervo, que compreende 660 horas de gravação (em 609 cassetes áudio, hoje em dia depositadas na Fundação Manuel Viegas Guerreiro), atesoura 3.632 versões inéditas de romances e acolhe 10. 096 versões de romances publicadas entre 1828 e 2010.