
Devido à crescente ocorrência de secas severas a intrusão de sal nos estuários é, cada vez mais, um fenómeno preocupante para muitas populações costeiras. As correntes residuais, assim chamadas por não estarem associadas à atração exercida pelo sol e pela lua, controlam a circulação de material dissolvido e em suspensão nos estuários, incluindo a intrusão de salinidade dos estuários, sendo importante, também, para a gestão da água e estudo de processos ecológicos. De acordo com o conhecimento adquirido nos grandes estuários das latitudes temperadas, supõe-se que a circulação residual seja dominada principalmente por gradientes de densidade horizontal. De um modo geral, supõe-se que, apesar de a magnitude das correntes residuais poder variar entre maré alta e maré morta, a direção e distribuição através do canal se mantêm constante. Estudos realizados recentemente em estuários subtropicais, semiáridos e temperados demonstraram que, em alguns locais, os gradientes de densidade e de atrito podem alternar numa escala quinzenal.
O projeto SWITCH tem como objetivo caracterizar a troca quinzenal dos mecanismos responsáveis pelas correntes residuais em estuários pouco estudados. Para responder às questões colocadas o projeto propõe combinar observações de campo com simulações numéricas num estuário com clima semiárido, o Guadiana, onde as observações recentes são os indicadores mais persuasivos até ao momento da existência de uma troca quinzenal entre mecanismos forçadores barotrópicos (devido à densidade) e baroclínicos (devido à maré). Deste modo, será proposta uma nova classificação da circulação estuarina capaz de representar o comportamento dinâmico dos estuários (por exemplo, processos de transporte de longo prazo), e complementar as classificações anteriores baseadas em parâmetros ad-hoc (como o caudal dos rios e as correntes de maré).
Universidade do Algarve; Associação Oficina Ciência Viva de Tavira

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