Os sismos e as erupções vulcânicas são manifestações, por vezes catastróficas, da dinâmica interior da Terra. Podem parecem ocorrer repentinamente, com pouco, ou mesmo sem aviso prévio. No entanto, os sismos e as erupções são consequência de alterações do estado de deformação e tensão e das propriedades das rochas em profundidade [1,2,3].Historicamente, estas alterações têm sido difíceis de observar e, portanto, de quantificar, perceber e prever. Actualmente, a existência de redes de observação densas, novas ferramentas matemáticas, potência computacional avançada, e uma capacidade de modelação sem precedentes, permitem-nos começar a decifrar as variações subtis que podem dar origem a eventos disruptivos [1,2,3,4]. É imperativo aprender a monitorizar estas variações, em particular num momentos em que as nossas sociedades estão a avançar para uma utilização cada vez mais intensa da sub-superfície. No projecto RESTLESS propomos a integração de observações multi-paramétricas da evolução espácio-temporal de: 1 actividade sísmica, 2) estrutura da Terra em profundidade, 3) fluídos crustais, e 4) sensibilidade a forçamentos externos, de forma a quantificar o estado de sistemas geologicamente activos. Estas observações serão integradas utilizando técnicas avançadas de análise de séries temporais e de modelação geodinâmica, bem como métodos de machine learning de forma exploratória. O nosso objectivo é identificar padrões que assinalem a evolução da criticalidade dos sistemas. Vamos focar-nos em regiões de estudo com sismicidade abundante, sistemas hidrotermais e vulcânicos activos, para os quais existem dados de elevada qualidade, nomeadamente o arquipélago dos Açores, o arquipélago das Canárias, e Monchique. Vamos ainda explorar dados de sismómetros colocados no fundo do mar (OBS) recolhidos ao largo da Ibéria.
O projecto RESTLESS terá impacto em duas vertentes: Do ponto de vista científico, irá contribuir para uma melhor compreensão da dinâmica da Terra sólida numa escala humana, em particular no que concerne à génese e evolução de sequências sísmicas. De uma perspectiva societal, vai capacitar o IPMA, a instituição responsável pela monitorização sísmica em Portugal, com ferramentas avançadas para a monitorização em tempo-real de sequências sísmicas, viabilizando estratégias adequadas de mitigação do risco sísmico.
Fciências.ID; Instituto Português do Mar e da Atmosfera I.P.; Instituto Superior de Engenharia de Lisboa; Universidade da Beira Interior; Universidade do Algarve

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