Glioblastoma (GBM) é o carcinoma cerebral mais comum e mais agressivo, com uma taxa de sobrevivência média do paciente de apenas 15 meses. As opções terapêuticas para esta doença devastadora são limitadas e envolvem cirurgia, radioterapia e quimioterapia com Temozolomida (TMZ). A baixa taxa de sobrevivência do paciente e a ineficácia terapêutica devem-se principalmente a mecanismos de resistência celular. Deste modo, a resistência terapêutica representa o principal obstáculo para melhorar a eficácia do tratamento de pacientes com glioblastoma. Recentemente, o nosso grupo descobriu um novo mecanismo de resistência a drogas usados na terapia anticancerígena, mediada por TRIB2, uma pseudoquinase sobre-expressa em tumores GBM. Verificamos que elevados níveis de expressão da proteína TRIB2, detetados em biópsias de glioma, correlacionam com a resistência a terapias, independente do estado de metilação do MGMT, e por sua vez esta associado a um mau prognóstico. Descobrimos que a eliminação da proteína TRIB2 aumenta significativamente a eficácia dos medicamentos anti-GBM. Deste modo, acreditamos que o TRIB2 desempenha um papel importante na resistência à terapia e na recorrência da doença em pacientes com GBM. Dados recentes mostraram que o TRIB2 pode ser alvo de rápida degradação por inibidores de tirosina quinase EGFR/HER2 aprovados pela FDA, que se ligam irreversivelmente ao domínio da pseudoquinase [1]. Com este projeto iremos investigar os mecanismos pelos quais TRIB2 atua e deste modo identificar drogas que inibam a ação de TRIB2 sensibilizando GBMs para diferentes alternativas terapêuticas. Por outro lado, iremos investigar a importância clínica da expressão da proteína TRIB2 num grupo de amostras de tecido de pacientes com GBM. Os resultados deste projeto representam uma mudança no paradigma do conhecimento relativo a tumores cerebrais e estabelecerá o TRIB2 como um novo alvo terapêutico e um biomarcador preditivo para GBM, que contribuirá para melhorar as taxas de sucesso no tratamento e sobrevivência de uma doença atualmente extremamente mortal.
Universidade do Algarve

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