Ensaios com aparelhos acústicos para reduzir interações de cetáceos e redes de emalhar
Estão a operar no sotavento algarvio
No âmbito do projeto Mar2020 “iNOVPESCA – Redução de interações de espécies marinhas protegidas e pescarias costeiras Algarvias: Inovação de procedimentos e técnicas de mitigação”, coordenado por uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, for entregues, na semana passada, alarmes acústicos para usar em redes de emalhar, operadas por embarcações locais e costeiras da ilha da Culatra e Quarteira, contribuindo, assim, para a diminuição de interações com golfinhos.
Este projeto está a ser desenvolvido pelo grupo de Pescas, Biodiversidade e Conservação do CCMAR, que, paralelamente, tem vindo a realizar reuniões de formação com os pescadores que voluntariamente participam nestas experiências.
As interações de cetáceos com artes de pesca são um problema mundial, e, particularmente na costa algarvia, o iNOVPESCA detetou que são mais acentuadas no Sotavento algarvio, nomeadamente em redes fixas (emalhar ou tresmalho), em que a espécie de cetáceo a interagir com mais frequência e impacto negativo é o roaz corvineiro (Tursiops truncatus). O roaz aproxima-se das artes de pesca para se alimentar, por um lado correndo o risco de captura acidental, e, por outro, podendo causar danos económicos aos pescadores (danos nas capturas e redes), já que se alimenta das mesmas espécies.
A entrega destes aparelhos, que também contemplará uma embarcação de Olhão, concluir-se-á nos próximos dias.
Segundo os investigadores, “neste trabalho espera-se comparar rendimento e índice de depredação entre barcos a utilizar e a não utilizar aparelhos (controlo)”. Os aparelhos ou alarmes acústicos a utilizar estão enquadrados nos permitidos a nível acústico em águas europeias. Segundo o grupo de Pescas, Biodiversidade e Conservação “prevê-se que até ao final do ano hajam resultados preliminares para se poder apresentar à comunidade piscatória e científica”.