Artistas do curso de Artes Visuais inauguram exposição na Galeria TREM
A Galeria TREM, em Faro, vai receber a exposição “É perigoso olhar para dentro" dos artistas Bertílio Martins e Nuno Viegas, do curso de licenciatura em Artes Visuais da Universidade do Algarve, que será inaugurada às 18h30 do dia 13 de dezembro.
Ao abrigo de um protocolo com a Câmara Municipal de Faro, através do Museu Municipal, a programação desta Galeria será, durante um ano, da responsabilidade da Universidade do Algarve.
Patente até ao dia 2 de fevereiro de 2013, a exposição conta com a curadoria de Pedro Cabral Santo, Mirian Tavares e Xana, do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) da Universidade do Algarve.
Sobre a exposição:
«O realizador Luis Buñuel, um dos mestres do surrealismo, pensou chamar ao seu primeiro filme É perigoso debruçar-se para dentro. O filme afinal ficou conhecido como O Cão Andaluz, mas a ideia estava lá: debruçar-se para dentro é ver o interior, aquilo que ocultamos e que não permitimos que seja visto por ninguém. Os trabalhos apresentados nesta exposição, dos artistas Bertílio Martins e Nuno Viegas, através de suportes diversos, tratam no fundo da mesma questão: o limite entre aquilo que se revela e aquilo que se oculta. Na arte, este limite é estabelecido de diversas formas, por exemplo, a moldura dos quadros ou o ecrã funcionam como a zona de corte, o lugar exato em que o artista permite que se entre na sua obra. O resto fica de fora. E do resto que os dois artistas querem falar, de imagens que não são exibidas ou de espaços que nos são interditos. De um lado temos os desenhos de Bertílio Martins – naturezas mortas que recortam o sexo feminino e desvelam a sua nudez. A natureza morta, no início, era conhecida como Vita fermata in un instante immobile: o tempo, ou a vida, eram suspensos num momento pelo artista numa representação que desnudava objetos diversos, muitos deles representavam a vaidade humana e a efemeridade da vida. A natureza morta destaca aquilo que outros estilos usam apenas como pano de fundo – são restos, detalhes, fragmentos. Nos desenhos de Bertílio estes fragmentos são imagens de uma parte interdita pela cultura e pela civilização. O sexo, como na famosa obra de Courbet, dizia que somos demasiado humanos, e que a presença divina não está na origem da criação. Os trabalhos de Nuno Viegas são janelas fechadas sobre si mesmas. Revelam apenas vislumbres daquilo que poderia estar do lado de dentro. Como a janela pintada de preto de Marcel Duchamp que assume que a arte não está limitada ao enquadramento mas que pode ser, ela mesma, um enquadramento, suas obras mostram o que lá não está. E somos nós que devemos ter a coragem de olhar para dentro delas. E questionar se a arte é sempre aquilo que se vê, ou se não pode ser, por outro lado, aquilo que se oculta.» (Pedro Cabral Santo, Mirian Tavares, Xana)
Faro, 5 de dezembro de 2012